Desde que comecei a utilizar a internet com mais frequência e, logo em seguida, ingressei neste universo dos blogs dedicados à Música, entrei em contato com várias pessoas, de todos os tipos, de todas as laias. Entre tantas, acabei fazendo amizade com algumas. O interessante da história é que são, todas elas, pessoas com o interesse comum pela Música, ou pela Arte em si, o que gera uma afinidade quase instantânea, matéria prima para muitas conversas e diversões em geral.
A lista dos amigos que fiz por aqui é grande, ainda bem! Alguns deles se tornaram não só frequentadores assíduos dos blogs, mas, também, amigos – mesmo que nunca tenhamos sequer nos visto ou nos falado ao telefone, por exemplo. De todos, o que mais troco idéias em geral, acabou se tornando também colaborador e parceiro nas postagens, o doido que posso chamar de amigo Diego Camargo, o “Progshine”.
Desde que iniciei meus caminhos no Delirium Dust, o cara faz companhia, seja nos comentários ou nos inúmeros blogs que criou – sendo o primeiro deles o que batiza o site até hoje: Progshine. Sempre nos visitamos e as idéias que trocamos geraram frutos como a série de postagens sobre o Franka Zappa, o ‘Zappeando no Domingão’, que marcou época no Pântano Elétrico, além de postagens que foram praticamente presentes dele (os periféricos do Queen, Wilco, The Charlatans, Fastball, Manic Street Preachers, entre outros).
Eu tive a idéia de fazer uma postagem sobre o Progshine, talvez o único site brasileiro totalmente devotado ao Prog e suas vertentes, com notícias, entrevistas, resenhas e matérias em geral sobre o estilo, mas como o Progshine é somente uma das múltiplas faces desse maluco e como somos colaboradores, pedi a ajuda do próprio Diego pra contar um pouco mais dele mesmo, senão isso aqui viraria uma rasgação de seda sem tamanho... rsrsrsrsrs Aí vai:
Dizem que começar pelo começo é uma coisa boa! Partindo desse princípio, meu caro amigo Marcello 'Maddy Lee', me pediu pra escrever um pouco sobre mim, aqui vou eu... Eu nasci em 28/05/1985 como Diego Ferreira Camargo, portanto 26 anos, e do signo de Gêmeos - e muitos dizem que isso influencia o seu caráter; eu acredito, em partes. Sempre fui considerado 'esperto' pra minha idade (até hoje me pergunto se isso é verdade, me sinto bem burro, cada dia mais) e falante, como diz meu avô: “fala mais que o homem da cobra” (nunca entendi direito isso... rsrs). Nasci em Lages, Santa Catarina, mas sou um nômade. Já morei em 8 cidades, 3 estados e em 19 casas diferentes, talvez isso tenha alguma influência no meu jeito de ser; eu tenho certeza que sim. Música foi uma coisa que me chamou atenção desde pequeno, me lembro até hoje do pequeno piano azul-bebê Hering, que eu ganhei quando tinha 5, e lembro do meu irmão Daniel, que sempre ouviu muito BRock em casa; minhas lembranças mais antigas: Engenheiros Do Hawaii e Legião Urbana, as grandes portas pro universo musical. Aos 11 comecei a escolher minhas próprias músicas e copiava todas as letras de todos os discos que passavam pela minha mão - a mania de coleções que é tão antiga em mim quanto o mundo. Imagine uma coleção: eu tive! Latas de bebida, tampa de garrafa, carteiras de cigarros, caixa de fósforos, moedas, cédulas, selos, Tazos, figurinhas do campeonato brasileiro, revistas em quadrinhos e mais recentemente LPS, CDs e DVDs. Aos 12 descobri o Queen e minha vida deu uma guinada, queria ser como o Brian May, queria uma guitarra! Aos 13 descobri Pink Floyd, mesmo sem saber que o 'The Wall' ia me salvar e mudar minha vida. Aos 14 ganhei meu primeiro violão e outra guinada, coleções de cifras e tablaturas. Aos 15, já em São Paulo, sabia tocar o 'The Wall' todo no violão e já tinha traduzido ele inteiro (outra mania) pra tentar entender aquele disco. Também montei minha primeira banda, o Irvin. Toquei em algumas bandas e realmente achava que iria ser músico. Ledo engano! Não era bem isso, pelo menos não profissionalmente, De Volta Às Origens, 1985! e Nova Zelda foram algumas das bandas, dessa vez já como baixista, meu instrumento. Não tenho coragem de upar nenhuma das músicas dessas bandas, mas ouço e mesmo sabendo que não éramos bons sempre ganho um novo sorriso. Em 2005 comprei meu primeiro computador e como costumo dizer... fudeu tudo! (rsrs) A música que antes era 'colecionável' agora podia ficar toda junta. Daí pra ter internet e descobrir que discos que antes só existiam nas revistas podiam ser 'obtidos', foi um pulo. Como eu sempre fui curioso, ainda mais com música, e sempre tive muita coisa, resolvi, no final de 2005 montar um blog, essa era a primeira encarnação do Progshine, meu 'amor maior', inicialmente com downloads de discos progressivos e coisas que eu gostava. Logo notei que muita gente fazia o mesmo e eu não queria ser 'só mais um'; decidi que iria começar de novo e postar apenas discos de Rock Progressivo ou com essa influência (já que esse é meu estilo favorito), mas com um diferencial que eu nunca tinha visto em nenhum outro blog: resenhas pessoais, comentários faixa a faixa sobre o que eu achava dos discos. Pois bem, nascia o New Progshine nos primeiros meses de 2006; que durou 13 meses e alcançou um público por mim nunca imaginado. Arquivos que eu postei em 2006 ainda estão no ar, só pra vocês terem uma ideia. Como muita gente começou a fazer o mesmo e como eu queria mais, em 2007 comecei a pensar no formato site. Após um tempo estudando, o mesmo nascia em Fevereiro de 2008: o Progshine.com, ampliando ainda mais meus humildes planos. Desde então tenho 'servido' o mundo do Rock Progressivo diariamente: resenhas, notícias, perfis de bandas ocupam meus dias e ganhei muito com tudo isso, não monetariamente, pelo contrário, mas ganhei amigos, fiz contatos, fui a eventos, shows, conversei com pessoas do meio musical, e hoje posso dizer que tenho orgulho do Site. O primeiro nesse formato aqui em terras tupiniquins. Sigo forte com o Progshine, todos os dias, se possível. O Maddy eu 'conheço' há tempos. Desde a época do antigo Delirium Dust. E assim, da mesma forma que ele, eu tenho gana de 'espalhar' a palavra musical pela web. Sou um fanático por blogs e estou sempre inventando alguma coisa, sempre; devo ter cerca de uns 10 blogs, mas ativos são os seguintes:
E como se o Progshine não bastasse, e porque sempre recebo pedidos no Rate Your Music, decidi começar um projeto 'impossível', o Download De Países. Que consiste em postar TUDO que eu tenho em blogs separados por países, e atualizar quando for ouvindo e conhecendo mais Música, sem nenhuma limitação de gênero, porque desprezar música, mesmo a ruim, pra mim, é idiotice.
Atualmente eu tenho em meu computador 222Gb de música 'organizada', como eu chamo, tudo certinho por países de origem, e mais 280Gb em uma pasta que eu chamo de 'ouça' (rsrs). Sem contar meus CDS que passam de 300 e muitas mídias gravadas. Minha intenção nunca foi 'me mostrar', é só uma mania que eu tenho e porque eu gosto de fazer acabo exagerando!
Pois é, o exagerado amigo é, na verdade, um cara muito modesto e tranquilo, que sempre está presente e nos presenteando – é um generoso acima de tudo. Agora o Diego está morando em Guaíba (RS), mais uma cidade pro currículo, e de lá continua nos mandando as notícias do Prog do mundo inteiro. Mandando muito bem!
Agora, vocês que visitam o Plano Z, marquem presença nos blogs e no site do Diego - quem ganha com isso somos nós!
Karmakanic - In A Perfect World (2011) Deluxe Edition
Sweden Jonas Reingold (The Flower Kings bassist) side project Eclectic Prog Rock “Classic” + Crossover + Symphonic + Heavy + Rock + Fusion 8 tracks @ 320k + complete artwork
Göran Edman (vocals), Nils Erikson (vocals, keyboards), Krister Jonsson (guitars), Lalle Larsson (keyboards, backing vocals), Jonas Reingold (bass, backing vocals) & Marcus Liliequist (drums)
USA + UK Guitar driven eclectic prog rock “classic” prog + fusion + rock
Jeff Green (guitars, bass, all instruments, vocals), Phil Hilborne (guitar), Mike Stobbie (keyboards - ex-Pallas), Pete Riley (drums - Keith Emerson Band)
Este belíssimo disco é uma homenagem à tão aguardada filha de Jeff Green, a Jessica do título, que infelizmente não chegou a nascer. O álbum foi financiado, produzido, composto e arranjado por Jeff Green, que também tocou vários instrumentos, e todo o dinheiro arrecado com sua venda (ou download legal) é doado ao Southend Maternity Hospital; então, quem se interessar pela causa, o disco está à venda no site do músico (link acima).
Muitos de vocês já devem ter assistido a esse vídeo, mas, mesmo assim, acredito que muitos ainda não o conheçam. Definitivamente, vale a pena “perder” esses 20 e poucos minutos – até porque, depois, você vai aprender a gastar bem menos tempo com outras coisas... Não sou ecochato, nem politicamente correto, nem um desses policiais morais/éticos tão comuns hoje em dia – na verdade, acho-os extremamente exagerados, ingênuos, manipulados, pouco profundos em seus conhecimentos e muito, muito, muito chatos!! rsrs -, mas esse vídeo mostra muito bem muitas coisas que eu sempre imaginei ou intuía já funcionar dessa maneira, mas de um jeito que eu jamais conseguiria expor, ainda mais por não ter assim tanto conhecimento e estudo sobre o assunto como um todo. Sem mais blá-blá-blá, deixo aqui o texto de abertura do site.
“Da extração e produção até a venda, consumo e descarte, todos os produtos em nossa vida afetam comunidades em diversos países, a maior parte delas longe de nossos olhos. A História das Coisas é um documentário de 20 minutos, direto, passo a passo, baseado nos subterrâneos de nossos padrões de consumo. A História das Coisas revela as conexões entre diversos problemas ambientais e sociais, e é um alerta pela urgência em criarmos um mundo mais sustentável e justo. A História das Coisas nos ensina muita coisa, nos faz rir, e pode mudar para sempre a forma como vemos os produtos que consumimos em nossas vidas.”
Eclectic Rock
Psychedelic + Prog + Southern + Blues + Jam + Jazz + Folk
Chris Robinson (Black Crowes) - vocals
Marc Ford (Black Crowes) - guitars
Craig Ross (Lenny Kravitz) - guitars
Roger Manning (Jellyfish) - keyboards
Jimmy Ashhurst (Ju Ju Hounds) - bass
Andy Sturmer (Jellyfish) - drums
NOVO LINK!!!! / NEW LINK!!!! Link nos comentários / Link on comments
Nesses trocentos anos vivendo no meio musical fiz muitas amizades; algumas fugazes, outras infelizmente perdidas (pelos mais variados motivos) e outras firmes, fortes e duradouras. Deste último tipo, tenho um puta orgulho em ter como quase irmão um cara de especial talento e inteligência que é o Jean Kuperman. Nós nos conhecemos meio que por acaso em 97 ou 98, já nem lembro, e devido às múltiplas afinidades logo viramos “amigos de infância”. Jean é músico, compositor e cantor, com talento muitíssimo superior à média e, desta forma, como tudo no Brasil, praticamente quase que completamente (rsrs) desconhecido do público em geral. Ele começou a carreira como a maioria dos músicos, ensaiando interminavelmente com bandas e mais bandas, tocando sua guitarra, até encontrar seu próprio caminho e estilo. Estilo, aliás, eternamente camaleônico e evolutivo, inquieto como seu jeito de ser. Um dia, conversando sobre a falta de oportunidades que o “mercado” musical oferece, contrastando com as infinitas possibilidades de divulgação e comunicação que existem hoje em dia, pensamos em montar um blog para ser mais uma “frente de trabalho”, para mostrar uns “algo a mais” que os limitados MySpace, Facebook e Twitter não permitem. Surgiu, então, dessa colaboração o Templo Sem Teto, que tem como objetivo mostrar aos poucos o que vai na cabeça desse artista (além da sua cabeleira...). Vamos mostrar passado/presente/futuro, não necessariamente nessa ordem, e todas as pirações que acharmos válidas compartilhar. Ainda estamos no começo, mas as ideias não param de fervilhar e posso garantir que muitas coisas ainda vêm por aí, inclusive a explanação do conceito do Paganismo Transcedental, que vem sendo o principal mote de tudo que o Jean tem feito ultimamente. Sem mais blá-blá-blás introdutórios, deixo aqui a postagem mais recente que fizemos, cheia de referências. Só vai ficar faltando a opinião de vocês, caros amigos e freqüentadores desse espaço espacial...
Parte 1 - Golem Libre - Chegamos por volta das 17hs e tínhamos no máximo uma hora de luz para filmar. Passamos a primeira música, escolhida pela companhia de um desses sujeitos misteriosos e mágicos que circulam por aí sem identidade, sem história. Espectros das nossas sombras que ninguém quer mesmo ver. Aquele pegava guimbas no chão e depois sentou para escrever (ou pintar, não se sabe). Fomos perceber o papel e caneta só quando assistimos a filmagem. Parecia também um velho catador de latas, pelo saco preto que levava junto. O golem é um ser mítico, presente no misticismo judaico e sabe-se lá onde mais anteriormente. A letra da música situa o golem na rua de um país tropical abençoado por deus e bonito por natureza, mas naturalmente escondido dos olhos de fora. Fizemos dois takes da parte 1. O primeiro passando a música e mostrando nosso personagem silencioso e muito mais do que real. Numa jogada rápida, Negrão muda o foco para cima dele e se vê que está com um papel e uma caneta na mão. O segundo take aconteceu debaixo do arco. A acústica ficou fantástica e o cenário como se feito à mão. Reverb de jaula, Projac de rua. Demos uma espantadinha de leve nos passantes que acharam que estavam no zoológico, batendo fotos minha e do meu cúmplice mudo ao fundo. Simples, foi só virar a câmera pra eles. Esse filme foi o que mais me impactou. Fiquei pensando no sujeito que aparece comigo na cena solta no mundo.
Parte 2 - Civilidad – Uma parceria com Donatinho. Vinda de um Mandrake dos sons, a melodia criada por ele se desdobra de formas diferentes e minimalistas. Toco essa música de dois jeitos. Ele costuma chamar essa em que apareço de costas de “versão gipsy durona”. A música faz parte do repertório do Exu Mandrake, que continua em estado de criogenia, esperando a primavera chegar. Mas acabou não acontecendo uma boa gravação. Ficou só o registro cantando a canção enquanto explorava o lugar.
Parte 3 - Sambarábico – Escolhemos um mural que combinava com a música no mesmo beco onde tudo acontecia. Travessa do Comércio. E o comércio nunca mais foi o mesmo depois do domínio árabe da civilização médio oriental e redondezas. Desses mercadores vêm fantásticos desdobramentos que chegam até nós, afro-ameríndios, diretamente. Alguns até apontam para a maior revolta urbana escrava da história do Brasil. A Revolta dos Malês. E que dá nome ao personagem: Exu Mustafa. São negros árabes, os Mamelucos, que por saberem escrever e fazer contas, eram escravos de maior ascenção social. Foram eles que organizaram o movimento, como já disse Caetano, um belo espécime da tribo. A gravação quase é interrompida por um grupo de pessoas que estava passando. Talvez tivessem ficados assustados e não sabiam como se comportar diante daquele mameluco maluco tocando violão para um outro maluco mameluco filmar. No final aparece o responsável pelo “Videokê Club Gente Boa” na sacada do sobrado onde funciona o videokê. Ele bate palmas e convida a gente para subir. As próximas duas partes são feitas lá dentro.
Parte 4 - As Rosas Não Falam – Fiz essa música saudoso dos meus amores que estão por aí, amando ou não. E esperançoso pelos amores que anunciam sua chegada triunfal. A lentidão do fim da tarde do lado de fora e o clima cigano deste samba maravilhoso do grande Cartola, as imagens ao fundo, os símbolos, a bandeira do Brasil, a máscara africana no final, tudo é recheado de hipertextos astrais.
Parte 5 - Oráculo – Tínhamos algumas opções ainda e o tempo era curto. Escolhemos uma música profética que anuncia os tempos do messias pagão. O paganismo transcendental, que sugere Fernando Pessoa nos anos 20 do século passado, como sendo a religião do futuro, parece encontrar eco por aqui. Cito "Mambembe" de Chico Buarque e "Zumbi" de Jorge Ben Jor. Talvez seja acusado por plágio, talvez não, porque na natureza nada se cria, tudo se amplia. Gravamos na sacada do sobrado inspirado em duas meninas que me assistiam de baixo. Parecia uma serenata ao avesso, onde o mulambo na janela canta para as princesinhas na rua. Quem iria imaginar. Burguesinha, burguesinha… Diz aí, Seu Jorge!
Parte 6 - Sabra – Depois de beber uma cerveja rápida no videokê, ainda fizemos uma música em frente ao Paço Imperial. E aí já inspirados também pela chegada da noite. Sabras são homens e, principalmente, mulheres da região da Palestina, mas que os israelenses acabam por levar o termo depois de estabelecido o Estado de Israel. São mulheres muito fortes afetivamente, encantadoras justamente por isso. Talvez resgatem o papel delas no matriarcado e inaugurem, em tempos modernos, os germes do feminismo. Uma vez que são basicamente imigrantes européias reconquistando a terra prometida com a cabeça da modernidade no comando, onde assumem papel determinante na tática de assentamento da terra. Isso me conta, entre gargalhadas, o mestre Jorge Mautner, em quem, na verdade, a letra é inspirada por, ambos, termos conhecido sabras diferentes e nos divertido com as semelhanças. A gravação parece entrar numa onda hipnótica aos poucos com aquele cenário urbano e a parede exterior do Paço, que parece uma grande prisão. A luz do fim da tarde, as lâmpadas e os halos de cor que vão se misturando e embaçando a vista, a perspectiva que vai mudando, tudo misturado em efeitos especiais analógicos e energéticos. Auras do fim do dia. A liberdade estava consumada. Libertas Quae Sera Tamen!